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	<title>Nimue - mulher, serva e iniciada</title>
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	<description>Nimue - Woman, servant and votive - O quarto livro da historiadora Lili Machado, conta a estória de uma serva egípcia, apresentando a mitologia e teologia do Egito Antigo.</description>
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		<title>Maat</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 21:07:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lili Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulo 2 - Maat]]></category>
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		<description><![CDATA[Maat é a deusa egípcia da Justiça e do Equilíbrio. É representada por uma mulher jovem portando em sua cabeça uma pluma. É irmã de Rá, o Deus-Sol e esposa de Toth, o escriba dos deuses com cabeça de ibis. Maat é equivalente à Têmis grega e, como esta, é a representação divina da lei e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lilimachadonimue.wordpress.com&amp;blog=4902980&amp;post=41&amp;subd=lilimachadonimue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/maat.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-42" title="maat" src="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/maat.jpg?w=510" alt=""   /></a>Maat é a deusa egípcia da Justiça e do Equilíbrio. É representada por uma mulher jovem portando em sua cabeça uma pluma. É irmã de Rá, o Deus-Sol e esposa de Toth, o escriba dos deuses com cabeça de ibis.</p>
<p>Maat é equivalente à Têmis grega e, como esta, é a representação divina da lei e da ordem cósmicas naturais. Como ordem cósmica, Maat é o alimento do Deus-Sol Rá; é também &#8220;o olho de Rá&#8221; e o Ka de Rá. <a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/ba.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-44" title="ba" src="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/ba.jpg?w=510" alt="" /></a><a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/ba.jpg"></a></p>
<p>Segundo as crenças egípcias, o corpo do homem se compunha de dois elementos espirituais, o Ba, similar a alma e o Ka, uma espécie de réplica do corpo. A morte representava a separação do elemento corporal dos espirituais. Entretanto, o Ka não poderia sobreviver sem a presença do corpo, foi daí que se desenvolveram técnicas precisas de conservação, conhecidas como embalsamento. O processo de mumificação tinha como objetivo a manutenção do corpo para própria existência do Ka.</p>
<p>Maat é a Senhora do Céu, Rainha da Terra e amante do Mundo Inferior.</p>
<p>O grande inimigo de Maat era Seth, a versão egípcia do Ares grego, Deus da desordem crassa, da injustiça e da ambição.</p>
<p><a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/julgamento.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-45" title="julgamento" src="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/julgamento.jpg?w=510" alt=""   /></a>A atividade crucial de Maat ocorria no Palácio das Duas Verdades (Maati), onde os mortos iam para o julgamento final. Primeiro, o falecido deveria proferir uma &#8220;confissão negativa&#8221; declarando que não cometera pecados ou más ações. Verificava-se então se estava sendo honesto a cada um dos 42 itens confessados. Depois seu coração era colocado em um prato de balança, enquanto no outro estava uma pena de avestruz simbolizando Maat (a verdade). Por vezes era, ela mesma, a balança. Não se sabe com clareza de que forma o coração era pesado para que a alma do morto fosse considerada justa. Sabe-se somente, que se o coração tivesse o peso certo em contraste com o peso de Maat, a pessoa estava justificada. O coração, portanto, é considerado a &#8220;voz&#8221; e somente ele dirá para onde deverá ser destinado. Caso não o tenha, a pessoa é lançada a um monstro híbrido temível composto de partes de crocodilo, leão e hipopótamo chamado Ammut, comedor de mortos.</p>
<p>Para os egípcios, o coração não era tão somente um órgão vital do corpo, mas era também a consciência. Ele representava a voz de Maat no ser humano, a voz oracular da ordem cósmica que rasga o véu e penetra no mundo humano. Entretanto, por essa razão, as palavras do coração tornaram-se um problema para os egípcios, pois ele testemunhava no Palácio das Duas Verdades contra a pessoa. Essa crença era tão forte, que existia até uma prece especial, dirigida ao coração, que era inscrita em um amuleto em forma de escaravelho e depositada no local do coração durante o ritual de embalsamento. Tal prece suplicava que o coração não se levantasse &#8220;como testemunha contra mim&#8221;.</p>
<p>Muito embora Maat falava em nome da ordem cósmica, ela também é &#8220;o olho de Rá&#8221; e os filhos de Rá sentavam-se nos tronos dos faraós. Deste modo, a lei e a justiça estavam unidas, e os árbitros da ordem natural e da ordem social eram um só, unidos em Maat e no faraó. Por intermédio do oráculo da Deusa, o coração, as leis e os costumes da vida social eram confirmados por uma intuição mais profunda de justiça e integrados nesse nível.</p>
<p>Todas as religiões têm um conteúdo moral ao lado dos objetos de culto e a moral básica dos egípcios tinha o nome de MAAT. Ela foi criada antes do mundo e através dela o mundo foi criado. É quase impossível traduzir a palavra com exatidão, mas ela envolvia uma combinação de idéias como &#8220;ordem&#8221;, &#8220;verdade&#8221;, &#8220;justiça&#8221; e &#8220;retidão&#8221;. Considerava-se Maat uma qualidade não dos homens, mas do mundo, infundida neste pelos deuses no momento da Criação. Assim sendo, representava a vontade dos deuses. A pessoa se esforçava para agir de acordo com a vontade divina porque essa era a única maneira de ficar em harmonia com os deuses.</p>
<p>Para o camponês egípcio, Maat significava trabalho árduo e honesto, já para o funcionário, significava agir com justiça.</p>
<p>Durante as amargas dificuldades e a desilusão que flagelaram o Primeiro Período Intermediário, surgiu por instante, a idéia que Maat não era apenas uma qualidade passiva inerente ao mundo, mas que os súditos do rei-deus tinham o direito de esperar que fosse praticada. Isso representava um passo para o desenvolvimento de um conceito de justiça social.</p>
<p>Portanto, é mais importante &#8220;conservar Maat&#8221; (isto é, obedecer a lei) do que adorá-la. A própria Maat dá assistência nessa tarefa guiando, instruindo e inspirando os egípicios e após a morte ela é o princípio pela qual eles são julgados. Ela é a personificação da sabedoria!</p>
<p>Maat era portanto, a Deusa da Justiça e da Verdade, ligada ao equilíbrio necessário para a convivência pacífica entre todos os seres. Maat rege o primeiro signo social do zodíaco egípcio. </p>
<p>Era filha de Rá, o Sol, e de um passarinho que, apaixonando-se pelo calor e pela luminosidade dos raios solares, subiu por eles até morrer queimado. No momento em que foi incinerado, uma pena voou pelos ares. Essa era a nossa Deusa Maat. Ela também foi a responsável pela união do Alto e do Baixo Egito, simbolizando, com isso, a força da união e os benefícios da justiça.</p>
<p>Sem Maat, a criação divina, a Terra e seus habitantes, não poderia existir, pois tudo se afundaria no caos inicial.</p>
<p>Maat toca todos os aspectos da vida: independência, situações familiares, amor, ódio, temor, enfermidade, morte, eternidade, solidão, propósito e eleições. Não há situação que não possa ser enquadrada no esquema da verdade.</p>
<p>Não se trata aqui da justiça dos homens, até porque esta justiça não está com seus olhos vendados, mas atenta para preservar a ordem social. A vida é sempre justa em relação a ela mesma. Não vacila. Atua de tal modo que tudo que provém dela a ela retorna. Nada se perde, tudo se regenera, se renova e se transforma. É este o sentido do equilíbrio cósmico, da ressurreição e da transfiguração.</p>
<p>A Justiça nos permite tomar consciência de que, sem limites definidos, nada pode sobreviver ou subsistir no mundo. E a balança de Maat o que aqui significa? Ela pesa o bem e o mal, os prós e os contras, as vantagens e desvantagens, mede, calibra e julga.</p>
<p>Maat representa além do equilíbrio, a harmonia do Universo primordial. Tal equilíbrio necessita dessa Deusa que personifica a justiça. Maat nos lembra que &#8220;o que fizermos aos outros, a nós será feito&#8221;. É Maat, que protege os advogados e os tribunais. Maat chega com sua pena da verdade para trazer justiça à sua vida. </p>
<p>Maat vem dizer que o caminho da totalidade só será conseguido se você aceitar a natureza amorosa da justiça que busca corrigir todos os erros, ao dar as lições necessárias.</p>
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		<title>Os iluminados</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 14:28:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lili Machado</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/figura11.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-33" title="figura11" src="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/figura11.jpg?w=510" alt=""   /></a>- <em>Eu sou Nimue. Há muito tempo que venho pensando em contar a minha estória.<br />
- Como aprendi a escrever com um escriba amigo meu, venho já há algum tempo, anotando os fatos importantes de minha vida, esperando o momento certo de revelá-los.<br />
- E que hora melhor do que esta, agora, em que não mais pertenço ao mundo dos vivos e estou nos braços carinhosos de Osiris?<br />
- Para poder começar a contar a minha estória, tenho que falar um pouco sobre meu povo: os egípcios, que considero a raça mais elevada da humanidade.</em></p>
<p>Dentre os espíritos degredados na Terra, os que constituíram a civilização egípcia foram os que mais se destacaram na prática do bem e no culto de Maat (a verdade).</p>
<p>Em razão dos seus elevados patrimônios morais, guardaram, no seu íntimo, uma lembrança mais viva das experiências de suas distantes origens extraterrenas. Um único desejo os animava: trabalhar, devotadamente, para regressar, um dia, aos seus planaltos resplandescentes do plano superior.</p>
<p>Uma saudade torturante do céu, foi a base de todas as suas organizações religiosas. Em nenhuma civilização da Terra, o culto da morte foi tão altamente desenvolvido. Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe distante, ao qual se sentiam presos pelos mais santo afetos.</p>
<p>Foi por esse motivo que, representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos, as expressões do antigo Egito desapareceram, para sempre, do plano tangível do planeta. Depois de perpetuarem em suas obras arquitetônicas os seus avançados conhecimentos, todos os espíritos daquela região africana regressaram ao seu plano sideral original.<a href="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/egito.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-48" title="egito" src="http://lilimachadonimue.files.wordpress.com/2008/09/egito.jpg?w=510" alt=""   /></a></p>
<p>Voltando ao plano terreno, no campo da História, temos de mergulhar profundamente no passado, há mais de 6.500 anos, a fim de acompanhar toda a formulação do pensamento religioso no Antigo Egito e sua evolução, de acordo com as mudanças políticas ocorridas nesse país.</p>
<p>Da pré-história egípcia inexistem elementos informativos bastantes, não diferindo dos padrões de outros povos do estágio da pedra lascada, em diferentes áreas do mundo. A constatação comum é a da idéia de que a morte não seria o fim. Ela seria apenas um sono para o despertar de uma outra vida, no mais-além. A idéia essencial é a da vida após a morte.</p>
<p>Dessa forma, as considerações a seguir, terão seu ponto de partida no momento em que grupos humanos do Neolítico, com sua economia assentada na caça, pesca e coleta de frutos, premidos pela escassez da água, decidiram deslocar-se em busca de novas áreas onde houvesse o precioso líquido. Esses grupos humanos se constituíam de camitas, semitas e povos das montanhas, que, posteriormente, se reuniriam e dariam origem ao povo egípcio.</p>
<p>Esses grupos caminharam até depararam-se com o Vale do Nilo, onde encontraram água em abundância e um rio piscoso, frutas silvestres e animais de variadas espécies, formando culturas que antecederam os períodos dinásticos: Tasiense, Badariense, Amratiense e Gerzeense.</p>
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